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PARASHÁ VAYIGASH – UNIÃO COM A SHECHINÁ

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“E disse: Eu sou o D-us, D-us de teu pai; não temas descer ao Egito, porque lá Eu farei de ti uma grande nação. Eu descerei contigo ao Egito, e Eu te farei subir também…” (Bereshit 46:03-04).

O texto literal da parashá relata o sucesso de Yossef no Egito e a vontade do mesmo em que a sua família que estava em Eretz Israel, o acompanhasse ao país do faraó. Yacoov, nosso patriarca, se mostra reticente com relação à isto, por ter consciência de que o Egito era um país dominado pela idolatria. O passuch acima, nos mostra que em meio à dúvida dele, o Criador se manifesta, afirmando que não se trata de uma simples mudança, mas de cumprir o que está determinado para o Povo de Israel.

Já relatei anteriormente, que o povo judeu sofre forte oposição neste mundo, por sua missão de ser “Luz Entre as Nações” (Yeshayahu 49:06), o que também ocorre para aqueles que se inclinam junto aos israelitas para que este objetivo divino seja cumprido. Porém, é preciso dizer é que a sensação de desamparo que há neste mundo é apenas ilusória, já que em seu ato de extrema bondade, D-us também se auto-exilou, permitindo que sua Shechiná habitasse Malchut e assim facilitasse o contato entre Criador e ser criado.

Rabi Shneur Zalman de Liadi nos explica no Tanya que há neste mundo uma sensação de independência entre as criaturas, como se elas não dependessem de nada para existir. Isto cria em muitos seres a sensação de impunidade, acreditando que podem fazer exatamente tudo o que quiserem, sem acreditar que terão de assumir alguma responsabilidade. Nesta parte do Tanya aprendemos que nossa independência é igual à luz do sol aqui na terra, pois devido à distância nos parece que tanto a luz quanto o sol são distintos.

Porém, da mesma maneira que ao aproximar-se do sol, o homem percebe que não há separação, e que a luz pertence ao sol, percebemos também que o ser humano está aderido ao Criador, e a única razão de nos acharmos distintos do Criador, está em Sua ocultação. Estas leis espirituais só podem ser entendidas através da visão mística do Judaísmo, já que os grandes mestres e toda a bibliografia que nos permite compreender realmente o que de fato acontece, está na Cabalá. Assim como Yossef compreendeu que o seu estado de solidão era uma ilusão, o mesmo era solicitado à Yacoov.

O Zohar, na poção Vaygash nos diz: “O Rei Davi costumava levantar-se de sua cama meia-noite para estudar Torá e cantava canções de modo a causar júbilo no Rei e na Matrona”. Sabemos pela Cabalá que o Rei é o aspecto mais elevado do Criador, assim como a Matrona nada mais é que a própria Shechiná, o que evidencia que o vínculo obtido através de nosso estudo, oração e de forte meditação faz com que esta Presença Divina “paire” sobre nós, o que representa prazer para ser humano e D-us, pois o resultado final disso é conexão.

Na parashá, o Egito representa o aspecto mais rebaixado de Malchut, onde a idolatria reina, mas ainda assim Yacoov deveria “descer” até lá, porque haviam almas a serem resgatadas e também porque o Criador iria junto. Não importa o quanto a situação é aparentemente degradante, mas pela sabedoria que o Eterno nos legou, que nos permite experimentar uma permanente conexão com ele, tudo o que vier há de nos engrandecer.

Shalom,

Rafael Chiconeli

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