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PARASHÁ MIKÊTS – Árvore da Vida ou Árvore da Morte?

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“E disse: quão felizes são aqueles que trabalham na Torá e assim, aprendem a ver com os olhos da sabedoria. Tudo o que D-us formou no mundo, tem seu próprio grau de controle, que dirige para o bem ou para o mal. Existem graus para a direita e graus para a esquerda. Se um homem ruma para a direita, qualquer ato que realiza, se volta um grau diretor neste lado, que o ajuda e faz com que os outros o ajudem. Porém, se ruma para a esquerda, qualquer ato que realiza, se volta uma força diretora neste lado, que traz decretos ruins contra ele” (Zohar Mikêts).

Esta Parashá, nos mostra efetivamente a magistral realização de Yossef e sua interpretação profunda sobre o sonho do faraó, algo que nenhum feiticeiro do mundo conseguiu resolver naquela época. Isto ele conseguiu, porque estava inclinado à sabedoria da Torá, não aquela que estudamos em nossas casas, também chamada de Chumash (Pentateuco), mas sua parte profunda, na época de Yossef, somente oral, a qual hoje chamamos Cabalá. Isto, porque conforme nos confirma o Tanya, a Torá nos coloca em contato direto com o intelecto divino, o que faz o ser humano compartilhar, em parte, os “pensamentos do Criador”.

Ao fundir sua mente, corpo e alma com D-us e causar um Yichud (unificação), Yossef escapa de quaisquer distrações e eleva sua consciência diretamente ao plano das certezas, cuja origem é D-us. Seus concorrentes tinham poder, mas um poder mais vinculado ao que é terreno, então suas percepções eram distraídas pelas coisas do mundo, incapazes de transpassar a realidade de Assiá (Mundo Físico). Estes planos que estamos discutindo são extremamente místicos e fazem parte do propósito de cada um, pois cabe a cada ser humano saber o que busca ao final, se é o finito ou o infinito.

Estas dimensões ficam bem claras na análise do Zohar, sobre esta Parashá, já que o “grau da direita” é a Etz Chaim (Árvore da Vida), enquanto que o “grau da esquerda” é a Etz Mavet (Árvore da Morte). Yossef, ao ser vendido pelos irmãos e ter a mazal (destino) que teve, estava cumprindo um Tikkun, que lhe apresentaria chances de reparação, ou, dependendo das escolhas de piorar sua situação na existência. Quando caminhou à esquerda, atraiu para ele situações ruins, principalmente no episódio em que confia sua salvação à um copeiro do faraó e não em D-us. Por outro lado, todas as vezes que depositou 100% de sua confiança no Eterno e não nos homens, isto significou uma guinada à direita, o que lhe trazia ajuda e sucesso.

Seus opositores, como a esposa de Potifar (que foi responsável pela prisão de Yossef), estavam totalmente inclinados à esquerda, o que quer dizer que seus valores eram meramente finitos. Por isso eram regidos pelo ódio, e como o Talmud nos conta, “ódio é similar a idolatria”, pois a pessoa passa a ignorar o plano divino. Além disso, perderam a guerra interna que cada ser humano vive, sendo superados por sua Nefesh Habahamit (Alma Animal). Os cabalistas nos ensinam que só há um remédio, contra este mal e chama-se Torá, por isso o Criador a entregou à toda a humanidade, conferindo a Israel a missão de transmiti-la às nações.

Quando Yossef eliminou suas dúvidas e “trabalhou na Torá”, trouxe luz não só sobre ele, mas sobre todo o mundo, fazendo com que todos recebessem benefícios. Isto não quer dizer que as oposições contra si fossem eliminadas, afinal ainda existiam pessoas que o odiavam. Mas que ele venceu o pior de todos os inimigos, que é o Yetzer Hará (má inclinação), que é interno. O maior inimigo de uma pessoa é ela mesma, não é à toa que o Talmud nos pergunta e ao mesmo tempo responde: “Quem é forte?  É aquele que vence suas más inclinações” (Talmud Bavli).

Shabat Shalom!

Rafael Chiconeli

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