CABALA

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ORIGENS:

Cabala (pronuncia-se Cabalá) é um termo hebraico que pode ser traduzido tanto como “receber”, quanto “tradição”, o que se deduz ser uma “tradição que se recebe”. Logo, estamos tratando de uma transmissão que ocorre entre pessoas, mas que em primeira instância flui de uma origem, a qual denominamos Criador. Ele, legou à humanidade a sabedoria de quem é Ele, Seus projetos, porque nós existimos e qual é o nosso propósito.

É mais correto chamar esta tradição Divina de Chochmá Há Nistar (Sabedoria Oculta), pois tratam-se de grande segredos existenciais que foram transmitidos bem antes do surgimento de qualquer religião. No Sefer HaRaziel (Livro do Anjo Raziel), é dito que o primeiro ser humano recebeu, estudou estes conhecimentos e logo, outras pessoas tiveram acesso à eles, segredos que despertavam mesmo a curiosidade dos anjos mais elevados.

Nas narrativas da Torá, em seu aspecto mais esotérico descobrimos que Enoch era um praticante desta sabedoria, à ponto de se juntar ao Criador, ao invés de experimentar a morte (Bereshit 05:24). Depois, mais à frente, Noach também receberá estes ensinamentos e baseado na nova compreensão que terá do cosmos, fará parte do projeto Divino, para o resgate dos seres humanos. Este projeto terá continuidade, através de seus descendentes Shem e Ever, que viriam à constituir uma academia (Yeshivá), para que estes ensinamentos fossem transmitidos à outros merecedores.

Também no Midrash, aprendemos que nesta Yeshivá, Abraham foi iniciado nos mistérios cabalísticos, e por isso, escolhido por D-us, para uma tarefa especial (Bereshit 12:01), perante a humanidade. Neste momento, inicia-se uma nova trajetória para esta sabedoria, quando o Patriarca do Povo Judeu, a transmitirá à sua descendência, inclusive segundo consta enviando seu filho Isaac e seu neto Yacoov à Academia de Shem e Ever. Abraham também registrará o seu aprendizado no manuscrito Sefer Yetzirá (Livro da Criação), que aprofunda os conceitos da unidade de D-us, as Sefirot e também a criação do Universo.

DESENVOLVIMENTO:

Esta tradição cabalística é transmitida adiante, sendo extensamente utilizada entre os profetas, reis e sábios, conforme descrito no Tanach. O profeta Yehezkel (Ezequiel) relata extensamente as visões e sentimentos que experimentou ao se deparar com a Carruagem Celestial (01:04-26), assim como o também profeta Elyahu (Elias), que após derrotar os profetas idólatras de Baal P’eor, vai até a montanha para ouvir “uma voz silenciosa” de Hashem (Melachim I 19:9-13). O Rei Davi tinha uma forma própria de meditar com D-us, conforme descrito em Tehilim (Salmos 06:07).

Com a destruição do Bet Hamicdash (Templo de Jerusalém) em duas ocasiões, a transmissão da Cabala ganhará uma nova dimensão, já que o povo judeu se dispersou por várias partes do mundo. Conforme o Talmud hoje nos relata, haviam sábios capazes de feitos impressionantes, com a aplicação desta sabedoria, como Rabi Nehuniah ben Hakana, Rabi Akiva, Rabi Shimon bar Yochai e muitos outros. Haverão  tratados que descreverão estas experiências místicas, com destaque especial para os Hechalot (Átrios), Bahir (Livro da Iluminação) e o Zohar (Livro do esplendor).

Durante a diáspora, as regiões da Provença e da Espanha se destacam como autênticos centros de Cabala, onde mestres e discípulos se dedicam a compilar seus ensinamentos teóricos e práticos. Neste contexto, escolas vão se formando, onde o cabalista imprime um estilo de interpretar as escrituras e seus discípulos seguem, registrando o máximo que podem. Grande parte destes mestres adaptavam suas técnicas, através da reflexão dos ensinamentos de sábios tanaíticos como os nomes que foram citados acima e tantos outros.

No século XIII, Rabi Abraham Abuláfia inova ao ensinar suas técnicas meditativas tanto para judeus quanto para não-judeus e embora sofresse muita perseguição e calúnias por isso seu trabalho se tornou amplamente conhecido e respeitado. Sua escola,  até hoje é chamada de Cabala Extática, justamente pelo êxtase aos quais seus praticantes eram levados devido às práticas inovadoras para a sua época. Boa parte das difamações que sofreu, vinham de cabalistas, que embora reconhecessem às verdades que ele transmitia, não julgavam ser o momento oportuno para que a humanidade descobrisse.

Em todos os séculos a Cabala também sempre teve uma abordagem ligada à mágica, voltada à visão mais oculta do Judaísmo, dos nomes divinos, angelicais e amuletos. Claro, que muitas destas práticas sofreram fortes oposições tanto de ramos mais tradicionais judaicos, assim como de cabalistas que temiam que tal abordagem caísse em “mãos indignas”. Fato é que no século XVI o Rabino Josef Tsayach descreve inúmeros ritos, embora advertisse que quem deles fizesse uso teria que guardar uma intenção extremamente pura.

O século XVI, também marca a notoriedade da incrível Escola de Tsfat, cidade dos místicos da Terra Santa, que revelou luminares como Rabi Moshe Cordovero, Rabi Yossef Caro, Rabi Chaim Vital, Rabi Isaac Luria (Ari) e tantos outros.  Este último, considerado o mais elevado deles trouxe um modo revolucionário de se interpretar o Zohar, além de trazer práticas meditativas e religiosas que foram adotados na ritualística judaica. É do Ari, a famosa pronúncia que diz que o estudo da Cabala não era apenas desejável, mas um dever para todos: homens, mulheres e crianças de todas as nações.

AMPLITUDE E OS DIAS DE HOJE:

No século XVII, o Rabi Moshe Chaim Luzzato se aprofunda nos estudos do Zohar, sob interpretação do Ari e revela escritos de grande magnitude à ponto de receber sabedoria diretamente da fonte de um Maggid (mestre spiritual). Suas obras notórias chamam a atenção de uma forma tão abrangente, que logo, diversos rabinos se opõem a divulgação de seus ensinos. Ele sofre um Cherem (Excomunhão), e se recolhe em Amsterdã até sua morte, porém, hoje e reconhecido como um dos maiores cabalistas autor de obras fantásticas como O Caminho de D-us e o Caminho dos Justos.

Através de sábios como Baal Shem Tov, a Cabala deixa cada vez mais de ser uma sabedoria restrita somente à círculos de eruditos e passa a fazer parte do dia a dia de pessoas comuns. Outros sábios vão surgir, avançando nestes estudos e ampliando o horizonte de compartilhamento da Tradição. Hoje, já existe um grande número de cabalistas que concordam que a revelação da Cabala à todos é fundamental para que aconteça a  tão esperada redenção da humanidade.

 

 

 

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