PARASHÁ VAYECHI – LIGANDO-SE À UM JUSTO

Jacob-Blesses-Manasseh-and-Ephraim1

“Vocês que aderiram ao Eterno vosso D-us, mereceis, cada um, vida neste dia” (Zohar Vayechi).

A parashá desta semana nos conta sobre o final da vida de Yacoov, o terceiro de nossos patriarcas, que teve uma vida de muitas dificuldades, até alcançar seu real objetivo. Muitas pessoas quando perdem um ente querido tendem a se entristecer, sentindo um distanciamento gigantesco, e, de fato um abismo que se abriu entre duas pessoas que se amavam. Na Cabalá, aprendemos  que as coisas podem ser visualizadas de maneira profunda ou literal, onde a morte nos traz profundos ensinamentos sobre a realidade da nossa existência (raízes e ramos).

O Midrash nos traz uma profunda visão, sobre a palavra “viveu”, que se relaciona à morte de Yacoov, junto à seus filhos e netos no Egito. É muito clara, na parashá a intenção do patriarca em deixar instruções claras para que sua descendência pudesse se conduzir, após sua ausência física. Isto acontece, porque o universo é um todo, que está se construindo instante a  instante, onde cada ser é um arquiteto nesta construção. Yacoov conhecia as leis cabalísticas da interrelação entre mundos, o que em verdade nos prova a existência da eternidade e que a revelação ou ocultação do “para sempre” depende unicamente da qualidade de nossas ações.

Nossos sábios ensinam: “os tzadikim (justos), apesar de sua morte, são chamados vivos. Os rashaim (malvados), apesar de sua vida, são chamados mortos” (Midrash). A referência aqui é que o que separa o tzadik do rashá é a intenção das ações, o que resultará em legado positivo ou não; assim somos capazes de compreender a pressa de Yacoov em abençoar sua descendência no pouco tempo que ainda lhe restava. O tzadik se eterniza, pois suas ações visam deixar frutos bons, estes são os ramos desta raiz, enquanto que o rashá só visa ações temporais, seu foco é o finito, a matéria, logo seus ramos serão inúteis, já que a raiz em si é morta.

Já comentei em outros estudos, que segundo o Tanya, nossos patriarcas eram como “carruagens para D-us”, justamente porque sua Kavaná era unicamente realizar a vontade do Eterno e não a própria. Esta aderência, é justamente o segredo que conecta nosso estudo às verdades enunciadas no passuch do Zohar, que abre este escrito já que ela resulta na Eternidade de seus beneficiário. Quando o desejo real de uma pessoa é a conexão com D-us e nada mais, o desejo deixa de ser seu, e passa a ser o divino, resultando em ações que jamais serão esquecidas, sendo constantemente relembradas pelo benefício gerado à muitos.

Obviamente que a compreensão das ações de um justo nem sempre é automática, já que a ação divina neste mundo está pautada pelo Tzim-Tzum, o que significa uma relação profunda entre a ocultação e a revelação. Apesar da intenção ser positiva, por vontade divina, ela pode ser ocultada, para somente ser revelada “lá na frente”, beneficiando um número maior de pessoas.  Por isso a relação mística das raízes e dos ramos, pois ainda que você não tenha conhecido pessoalmente certo tzadik, pelo estudo de suas obras e pela adoção de suas práticas, você se torna parte daquela raiz, colhendo dos méritos do justo, unificando-se igualmente com D-us.

Daí, compreendemos através deste estudo é que os justos são eternos, e que para eles a morte não existe, já que se fazem presentes através de seu legado, que foram seus ensinamentos. Muitas pessoas hoje estão vivendo fisicamente, mas em verdade estão mortas, porque não estão deixando nada de permanente para o próximo, pois só se preocupam com assuntos da materialidade, o que criam um “gargalo” entre Yessod e Malchut, impedindo que as bênçãos as abasteçam.

Exatamente por isso os tzadikim são associados à sefirá Yessod, já que ela é a responsável pela transmissão da energia oriunda das sefirot superiores, que “descem” a este mundo através do Kav. Não é a tôa que dentro da dinâmica da Etz Chaim, Yossef, filho do patriarca representa sefirá Yessod, que que as retificações que fez, através do que aprendeu com seu pai, permitiram a ele tornar-se um transmissor do legado que recebeu. Quando os seres humanos seguem o mesmo caminho, em se juntar à raiz espiritual pura, recebem eles mesmos a habilidade de receber bênçãos e compartilhar com eficácia.

Shalom,

Rafael Chiconeli

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