AS CHAVES DA CABALÁ

Há de se saber que para cada empreendimento, há um objetivo final a ser alcançado, caso o contrário, todo o esforço feito não terá valido de nada, transfigurando-se em energia aplicada em vão. Mas sabemos que com o aprendizado e aprofundamento na ciência cabalística, no universo e nos mundos supernos, nada de fato é em vão. Pois ainda que haja um enorme gasto de energia da parte de uma pessoa, isto não evita que forças invisíveis acabem por se utilizar daquele esforço vital, de forma parasitária, conforme aprendemos, através da atuação empregada pelas forças Klipóticas (As Cascas).

Por isto, em Cabala, trabalhamos para com que nossos objetivos sigam de mãos dadas com a “Kavanná” (Intenção Focada), que há de guiar nossos esforços rumo aos nossos objetivos finais. Em última instância, o cabalista que se preza faz com que suas ações sempre o encaminhem para a “Devekut” (Adesão Total ao Criador), mas em nossas vidas existem objetivos menores, que agem como caminho para este objetivo final, que são a glória dos ensinamentos que recebemos das gerações mais remotas, até os dias de hoje.

A Cabala em si, se manifesta de inúmeras formas, mas em seu final, não passam de divisões de um mesmo todo, pois consideramos que tudo provém de uma unidade maior, o que nos faz entender que dualidades ou divisões só se tornam existentes por aqui, enquanto que nos mundos superiores tudo se unifica sob a vontade do Criador. Porém, na nossa esfera de atuação, cada forma de se vivenciar da Cabala, vincula-se à visão de certos mestres, assim como as diversas formas de “Kelim” (recipientes ou vasos), que se referem à capacidade que cada alma têm de reter certo conteúdo de iluminação, conhecimento e percepção.

Então, há a chamada “Cabala Teórica”, que se resume ao estudo da ciência mística, passando por seus grandes mestres, em grande parte de forma especulativa. As práticas se resumem mais a um uso psicológico dos elementos cabalísticos, trazendo um entendimento intelectual das qualidades das letras hebraicas, assim como a adoção das Sefirot, como um elemento de mudança de comportamento e emprego de um rígido código de conduta. A ênfase maior em práticas místicas seria empregado dentro do serviço religioso, através de “Hitlahavut” (Entusiasmo), permitindo um maior encontro do ser com o Divino. Neste aspecto há uma forte influência do Chassidismo, o que não significa que seus mestres não conheçam maneiras mais avançadas de se vivenciar o “encontro com o divino”, mas que esta seria a forma ideal para que todo ser humano convivesse com a Cabala.

Temos também a “Cabala Extática”, que embora esteja associada muito fortemente com os estudos e práticas do Rabi Abraham Afuláfia, teria suas raízes em práticas muito antigas, relacionadas aos patriarcas bíblicos, além dos maiores profetas que a humanidade conheceu. Suas experiências estão fundamentadas no próprio ser humano como um “canal” de habitação de D´us, por onde o “Shêfa”, ou “Influxo Divino” transcorre trazendo experiências profundas de “Ruach Hakodesh” (Inspiração Divina), onde a capacidade de percepção e aprendizado são aceleradas, até a Profecia, onde o cabalista torna-se o meio através do qual o Divino se manifesta na Terra. Dentro desta escola há um papel místico empregado nas letras hebraicas, vinculadas à Nomes Divinos, assim como “Tzerufim” (Permutações de letras) ou fórmulas de recitações que evocam estes estados de consciência alterados. Aqui também existe uma divisão clara entre cabalistas que trabalham com as letras do Alef-Bet e aqueles que preferem o caminho das Sefirot da “Etz Chaim” (Árvore da Vida).

Além destas, há a misteriosa “Cabala Prática ou Maassit”, que surge como o aspecto verdadeiramente mágico da Cabala, geralmente sendo ocultado pela imensa maioria dos sábios, mas que pode ser acessada através de vários elementos, levando-se em conta a perseverança do buscador. Primeiramente, através de um mestre cabalista, obviamente, mas isto não exime outras formas de apreensão, como aconteceram a cabalistas de todas as eras. Há também escritos antigos, como “Charba Demoshe” (A Espada de Moisés), “Sêfer Harazim” (Livro dos Segredos), entre outros, que concedem chaves para esta parte da Cabala, tal qual dizia o grande Rabi Yossef Tsayach: “Mais do que eu escrevi, o inteligente entenderá”. 

Não é de admirar que esta forma de emprego da Cabala seja guardado à sete chaves, ao ponto de muitos cabalistas chegarem a declarar a Cabala Maassit esteja morta ou que seja inacessível nos dias de hoje. Porque sua utilização está vinculada à alteração de situações, muitas vezes mudando o curso das ações ou alterando a normalidade das coisas, exercendo influência sobre o andamento das leis naturais, o universo e até as instâncias superiores agindo através de “Malachim” (Anjos), “Shedim” (Demônios), e acessando conhecimentos estruturais sobre a arquitetura utilizada por D´us em sua obra de construção. Daí surgem as histórias sobre “Golens” e como “Shlomo HaMelech”, ou o Rei Salomão exercia seu poder, para controlar seres de outras esferas e obter deles poder, que inclusive foi utilizado na construção do Templo de Jerusalém.

Claro que ao escrever este texto e abordar todas estas coisas, tudo parece muito irreal, mas se citarmos outras práticas, conseguimos enxergar que a Magia na Cabala é algo bastante real. Sabemos que a Torá e os demais escritos sagrados nos revelam códigos, onde podemos ter uma maior compreensão da mistica que envolve o nosso mundo, podendo acessar as camadas superiores do Intelecto Divino. Poderíamos citar neste texto inúmeras passagens Bíblicas, Talmúdicas, Midráshicas, sem falar nos livros clássicos da Cabala que comprovam esta tese, mas este texto tem a intenção de ser mais acessível às pessoas por isso, prefiro abordar questões claríssimas, para evidenciar o quanto a Maassit é real no ponto de vista cabalístico.

Quando observamos o “Yom Kippur” (Dia do Perdão), na época em que havia o Templo de Jerusalém, o “Cohen Gadol” (Sumo Sacerdote) trancava-se no Santo dos Santos e lá encontrava-se “cara à cara” com a “Shechiná”, a Presença Divina, onde obtinha o perdão para todos os pecados cometidos pelo povo judeu. Onde enxergamos o poder de influência do ser humano, em coisas do Divino. Da mesma forma, há uma subdivisão da Maassit dedicada à talismãs, que concedem qualidades especiais, certos poderes de proteção e que ampliam a capacidade de poder do cabalista para certas práticas. Neste aspecto muitos objetos utilizados pelo Judaísmo hoje, podem ser dotados de características mágicas como Tefilin,  Tzitzit, Mezuzá, Talit, entre outros. Mesmo uma “Brachá” (Bênção Cabalística) dependendo da forma como é proferida, pode ser enquadrada nesta categoria.

Afora tudo o que foi colocado, o mais importante no final das contas, seja lá qual abordagem for adotada, é o “Hamschachá”, ou resultado espiritual que será obtido através da prática, já que sempre estará associado à Intenção aplicada. Como dito acima, nenhuma visão da Cabala é superior à outra, apenas as diferenciações de emprego servem para se ajustar aos diferentes recipientes (almas), sedentos de proximidade com o espiritual. Assim, podemos entender, que cada forma de se vivenciar a Cabala, está diretamente ligada à capacidade intelectual e espiritual que aquela pessoa tem de absorver tais ensinamentos e, por isso, durante a história houveram inúmeros mestres e práticas, para que tais necessidades da alma pudessem ser satisfeitas, cada qual ao seu nível e ao seu tempo de maturação.

Desejo ardentemente que possamos cada vez mais, abrir portas.

Cordialmente,

Rafael Chiconeli

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