PARASHÁ VAYISHLACH – “SUBJUGANDO O MAL”

yacoov e esav

“E mandou Yacoov mensageiros à sua frente, a Esav, seu irmão, à terra de Seir, ao campo de Edom. E ordenou-lhes, dizendo: ‘assim direis a meu senhor, a Esav ‘  – ‘com Lavan morei, demorei-me até agora. E tive bois e jumentos, ovelhas e servos e servas; e mandei anunciar a meu senhor, afim de conseguir graças a teus olhos” (Bereshit 32:05-06).

A Torá retrata o momento que em Yacoov a abandona a moradia com seu sogro Lavan (que o explorava), e segue seu caminho rumo à terra que recebera a missão de estabelecer seu povo. Porém, havia um problema: Esav seu irmão estava vindo de encontro à ele, pois queria se vingar, do fato de Yacoov ter recebido a primogenitura de Isaac, em seu lugar o que remoera a sua alma por todos os anos em que estiveram separados. Assim, o patriarca que viajava com suas mulheres, servos, filhos e pertences, envia os mensageiros à frente para que avise o irmão furioso, sobre todas as coisas acima. Mas qual razão disso?

É preciso primeiro entender que tratava-se de um caso extremo, afinal Yacoov não viajava com um exército e sim com mulheres e crianças, enquanto que seu irmão e rival estava vindo até ele, com um exército de 400 homens. O mais intrigante é que a Cabalá, nos revela que este número se referencia às 400 porções de Tumá (impurezas), revelando-nos que a companhia de Esav eram as Klipót (cascas), representando a força negativa de aspecto maligno. O duelo que se anunciou estava na esfera espiritual e não na física, o que era ainda mais perigoso dada a responsabilidade que o patriarca tinha.

Então, o Zohar, nos traz brilhantes revelações, de porque Yacoov enviou os mensageiros, com aquele tipo de mensagem específica: “Rabi Yehuda perguntou – Qual foi a intenção de Yacoov ao enviar mensageiros para informar Esav que ele vivia com Lavan? O que ele alcançou ao contar isso a ele? A razão, foi que Lavan, o arameu, era famoso no mundo como mago e feiticeiro cujos encantamentos nenhum homem conseguia escapar. Ele foi pai de Beor, pai de Bilam” (Zohar 166 a-b).

O objetivo era claro: se Lavan, o maior feiticeiro daquele lugar, não tinha conseguido derrotar Yacoov, não seria Esav que conseguiria. Devemos entender aqui, que o envolvimento do sogro do patriarca com a Sitra Achrá o “outro lado” (mau) era muito mais íntimo, porque através da magia ele conseguia manipular forças da natureza e atacar pessoas. Na Torá, fica claro que Lavan fez de tudo (recorrendo à forças sobrenaturais), para evitar que Yacoov o deixasse, já que graças ao israelita, seus negócios eram abençoados. Por isso, a matriarca Rachel teve a brilhante idéia de desaparecer com seus ídolos, quando da partida, o que marcou a derrota espiritual de Lavan (Bereshit 31:34).

Outro código cabalístico na mensagem, é tempo longo que viveu com o feiticeiro, já que “com Lavan morei”, que segundo Rashi, é interpretado como “e morei (vivo)”, tem o valor de gemátria 613 que remete às 613 mitzvot observadas por cada judeu. Ou seja, Yacoov ficou todo aquele tempo, ao lado da idolatria, da maldade e ainda assim não se corrompeu, mantendo-se firme no cumprimento dos mandamentos. Isto teve que ser ressaltado “demorei-me até agora” , para não restar dúvidas a Esav, que era cético e poderia até conceber que alguém resistisse ao feiticeiro por pouco tempo. Porém, todo este tempo (20 anos), só alguém de fortaleza espiritual absoluta resistiria.

Ele também cita os animais e servos que trouxe consigo, o que tem duas razões principais, segundo a mística judaica: a primeira e mais simples, é para Esav compreender, que não só ele tinha resistido às forças espirituais impuras, como prosperado diante delas. Isto foi mostrado (Bereshit 30:38-43), quando as ovelhas sobrenaturalmente mudaram de cor, para beneficiar Yacoov e sobrepujar a magia de Lavan. A segunda, mais esotérica e de acordo com o Zohar informa que os “bois e jumentos” representam o aspecto masculino e feminino da Klipá (casca ou força negativa), sendo o masculino o agente ativo da maldade, despejando sua semente maligna no mundo e o feminino o passivo, que seduz e ilude os puros, para encarcerá-los na Sitra Achrá.

As “ovelhas, servos e servas” se vinculam às sefirot inferiores da Árvore da Morte, chamadas também de Coroas Inferiores. Recebem este nome, porque como nos relata o Tanya, elas incutem o pensamento de que existe soberania além de D-us, criando a idolatria, que se manifesta nos dias de hoje, justamente através do egocentrismo e pela maldade irrestrita. Quando Yacoov diz a Esav que tudo isto está em seu poder, ele quer dizer de maneira profunda que ele tem controle sobre estas forças, porque as subjugou.

Baseado em tudo isso, a visão de Esav mudou, pois lembrou automaticamente do que D-us tinha prometido à Abraham, seu avô: “E abençoarei os que te abençoarem, e aqueles que te amaldiçoarem, amaldiçoarei” (Bereshit 12:03), ou seja, quem bendiz o descendente espiritual de Abraham (Israel), colhe bênçãos e quem o ataca sofre consequências terríveis. Assim, naquele instante as Klipót que acompanhavam Esav são rebaixadas e acontece conforme a Torá relata: “E correu Esav a seu encontro (de Yacoov) e abraçou-o, e lançou-se a seu pescoço e beijou-o e choraram” (Bereshit 33:04)

Shabat Shalom para todos!

Rafael Chiconeli

PS: para receber nossos informativos em seu e-mail, escreva para: ccibrasil@hotmail.com

Anúncios

Uma ideia sobre “PARASHÁ VAYISHLACH – “SUBJUGANDO O MAL”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s