O PAPEL DO ADVERSÁRIO

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D-us dá as batalhas para quem Ele escolhe, dentro de Sua sapiência de que isto vai favorecer a humanidade. Já tratei de vários assuntos quando comentei Parashiot, Yomin Tovim e etc, sobre o quanto a firmeza espiritual de um ser é importante, durante os testes que a vida lhe impõe e neste momento maravilhoso de potencial inigualável, minha certeza é indestrutível na oportunidade de desenvolvimento que as almas possuem.

Rabi Shneour Zalman de Liadi comentava sobre as orações e o quanto deve ser indestrutível a Kavaná de quem a pratica, principalmente em situações de muita distração. Sabiamente, relatou que se uma pessoa ora e durante sua ação, diversas coisas acontecem no sentido de distraí-la, ou pará-la, ela deve fazer exatamente o contrário. O que significa que apesar dos eventos atentarem contra a sua atenção, a pessoa deve continuar a oração, gerando para si e para outrem grande mérito.

O sentido cabalístico é simples: se algo atenta contra a sua oração, é sinal de que ela é tão poderosa, mas tão poderosa que tocou profundamente a tranquilidade das lesmas espirituais, fazendo com que elas se determinem a eliminar o processo oriundo da oração. Logo, criarão todo tipo de empecilho para interrompê-la, tentando criar naquele que ora a falsa impressão de que o ato é sem sentido e que não terá resultado.

Mas entendendo a profundidade do ensinamento cabalístico, devemos trazer esta mensagem para nossas vidas, despertando a conclusão de que quando nos devotamos à uma tarefa de coração e com espírito de pureza, as oposições igualmente surgirão. E não serão elas que irão nos paralizar, já que toda a oposição gerada por um bom ato é oriunda da Etz Mavet (Árvore da Morte), que representam as impurezas que tentam influenciar maleficamente as criaturas deste mundo.

Justamente por isso, é de um prazer intenso, dizer para você, que me lê, que deve continuar sua caminhada, ter muita fé e seguir com suas realizações, aconteça o que acontecer, já que tudo o que é baseado na boa intenção prospera. As oposições existem para tornar as conquistas mais valiosas, afinal o que seria de um time, que entrasse para disputar uma final de campeonato sem um adversário? Por mais que o time rival possa jogar sujo, não ter ética no enfrentamento e usar táticas escusas, ao final sua vitória será ainda mais valorizada.

Na minha vida, aprendi que estas oposições e adversários, são como trampolins, eles nos ajudam a crescer, a prosperar, fazem com que tenhamos o entendimento real de nossa importância e da importância do que fazemos.  Afinal, como diz o ditado popular “só jogam pedras em árvores que dão frutos”. Por isso, você deve ter forças, pois como a Cabalá nos mostra, todo fato ruim traz bênçãos disfarçadas.

Rafael Chiconeli

A NOSSA DIFERENÇA FAZ A DIFERENÇA

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Este trabalho nasceu há alguns anos, fruto de nosso intelecto e instrução cabalística que recebemos, com fins de compartilhar o que aprendemos após tanto tempo de estudo dentro do Judaísmo e da Cabalá, que em si só são fundidos, já que a mística judaica esta toda contida na Torá. Nosso objetivo permanece o mesmo, sendo que nesta trajetória tivemos a oportunidade de contar com centenas de pessoas que se beneficiaram de nosso trabalho e puderam preencher suas vidas de razão e sentido, aproximando-se de maneira íntima com o Criador.

Eu, particularmente nunca pensei que iríamos tão longe, pois quando iniciei este grupo de estudos, o fiz puramente na fé, sem nenhum interesse além de melhorar a vida das pessoas. Lembro-me até hoje, de quando iniciamos na primeira sala em Copacabana, do número pequeno de pessoas que se reunia comigo, e que aquele “brilho nos olhos” me dava energia para prosseguir. Não havia nenhum planejamento ou estratégia de como seria, nossa inspiração era apenas fazer bem ao próximo.

Em algum tempo, nosso número de estudantes cresceu e senti que devia ir além, pois por anos que a Zona Sul do Rio de Janeiro era beneficiada, com grupos de estudos que supostamente divulgavam a Cabalá, isto me fez pensar nas pessoas do subúrbio. Assim, utilizei uma antiga sala comercial que pertencia à minha família, para ter uma sede no Méier, para que as pessoas desta região não precisassem se deslocar para tão longe. A primeira aula não foi animadora, apenas uma pessoa apareceu, mas ainda assim me animei, já que minhas aspirações não eram tão grandes, eu apenas queria compartilhar conhecimento e ajudar.

Passado o tempo, esta primeira aluna indicou outros três alunos e então, o Méier começou a crescer, justamente dando uma dimensão inesperada ao CCI. Muitos destes alunos estão conosco até hoje, abrilhantando nossos estudos, e fortalecendo shabatot e eventos que realizamos, seguindo o calendário hebraico. O Méier teve um crescimento tão grande que chegou a se equiparar com o trabalho que já fazíamos há mais tempo em Copa. Chegamos até a promover encontros entre os pessoal destas duas localidades, com grande sucesso. e isto continua acontecendo com regularidade.

Assim, fomos ganhando grande dimensão através da mídia, realizando seminários por todo o Brasil e divulgando nossos estudos através de livros, vídeos e mídias sociais. Não esperava também o retorno maravilhoso que tivemos, cuja estratégia única só pode ser vista em Vaycrá 19:18, que para mim resume toda a sabedoria da Torá. Tudo o que fiz, sempre teve o ímpeto de ser fiel ao que aprendi sobre Judaísmo e Cabalá, sendo nossa grande fórmula, justamente não seguir nenhuma fórmula pré-estabelecida a não ser a fidelidade a Torá.

Em tudo o que fizemos, o grande depoimento que posso dar é que D-us sempre esteve, está e estará conosco, pois em cada adversidade Ele mostrou uma luz, a cada pergunta, nos deu resposta e a cada prova, nos colocou em situação ainda melhor que a anterior. Nos dias de hoje, me sinto feliz em ver a quantidade de alunos que temos de forma presencial e à distância tanto no Brasil quanto no exterior, reflexo de que estamos seguindo o caminho certo.

Isto é o que me dá forças para continuar, pois mesmo quando estive doente, ou nas vezes em que decidi me dedicar mais aos assuntos pessoais, os alunos e amigos perguntavam sobre aulas, estudos e orientações. Percebi então, o quanto a mão divina havia nos guiado desde o princípio e o porque de chegarmos incólumes até aqui, havia um propósito, afinal, quanto mais ajudávamos as pessoas a transformar suas vidas, mais pessoas se aproximavam ide nós em busca do mesmo.

Por entender que devíamos nos preocupar também com nossos jovens, lancei uma campanha para combater o bullying virtual ou cyberbullying, que com o crescimento das mídias sociais têm feito mal à crianças, adolescentes, pais e familiares. a aceitação foi imediata, com convites para palestrar em escolas, centros comunitários e instituições religiosas, onde conseguimos transmitir a visão mística da Torá, acerca da Lashón Hará  (maledicência) e suas implicações emocionais, materiais e espirituais. Guardo com carinho os depoimentos de pais e professores, que me motivaram a continuar com este projeto amoroso e inteiramente gratuito, também em 2015.

Obviamente, que a grande luz gerada traria oposição, mas isto foi algo ínfimo em comparação ao enfrentado pelos grandes cabalistas do passado, se pensarmos no que enfrentaram Rabi Shimon bar Yochai, Rabi Abraham Abuláfia, Rabi Moshê Chaim Luzzatto, Shlomo Molcho e tantos outros, o preço que pagamos foi bem pequeno para o mérito que tivemos. Ser atacado por transmitir conhecimento espiritual de maneira desinteressada é normal, levando em conta que há pessoas que vêm esoterismo simplesmente como mercado econômico a ser conquistado. E mesmo com isso, nosso trabalho prevaleceu e continua prevalecendo, por sermos fiéis a pureza que nos levou à iniciá-lo.

Agora, estamos numa nova etapa, com a zona Oeste e tantos outros lugares e planos. Nosso trabalho como grupo de estudos, está crescendo numa dimensão que está muito além do previsto, exigindo maior organização e dedicação. Sei que será uma missão trabalhosa, mas também sei que a mesma “Mão” que vem amparado este trabalho continuará conosco, e nossos estudantes queridos, que só vêm se multiplicando estarão à altura do que nos é exigido.

Agradeço a D-us e a vocês, por ter chegado até aqui. Vamos muito mais além.

A NOSSA DIFERENÇA FAZ A DIFERENÇA!

Rafael Chiconeli

PARASHÁ VAERÁ – A ANGÚSTIA DA ALMA

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“E Moisés falou aos Filhos de Israel, porém eles não escutaram por angústia da alma” (Zohar Vaerá).

A parashá nos situa na difícil situação de Bnei Israel no Egito e o quanto viviam debilitados sob o jugo da difícil escravidão, sob a qual falamos na interpretação mística da parashá anterior. Em verdade os reflexos bíblicos que a Torá passa a transmitir, estão sob a humanidade hoje em dia, numa realidade tão óbvia que salta aos olhos. A degradação da humanidade é o tema, através do desprezo ao amor, que se torna paixão pela violência e destruição, onde se superar não é o ideal, mas sim superar o outro.

As situações não teriam o peso que tem hoje, se as pessoas enxergassem que as respostas já foram todas escritas e ditas. A Torá dá à todo ser o caminho de sua redenção, através da manifestação da vontade de D-us em relação à todas as Suas criações, tão belamente resumida em: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Vaycrá 19:18). Mas realmente é difícil de ver isto, enquanto cada um não se livrar de seu próprio “Egito Interior”.

O Talmud nos relata que “Esav odeia Yacoov”, como uma relação profunda entre a Alma Animal e a Alma Divina que cada ser possui em seu interior e que travam um combate pelo controle das ações humanas. a Angústia da Alma que o Zohar nos relata, está no fato de a alma divina de cada ser não  conseguir dar plena expansão à sua máxima vontade que é servir ao Criador através de pensamento, palavra e ação. Por isso, naquela altura eram incapazes de ouvir a Moisés, como muitos de nós não conseguimos dar ouvidos às mensagens puramente espirituais.

Uma alma angustiada é aquela que está nas profundezas de Malchut, sem permitir que esta última sefirá em seu interior seja abrigo para as nove outras, que fluem em maior consonância com o divino. Quando não há equivalência de forma entre o homem e D-us, não há nada porque o canal para a elevação do ser se torna suspenso ou interrompido de forma quase que permanente. Isto representa o Tzim-Tzum (separação) permanente entre dois elos que deviam estar unidos, tal qual um casamento.

No Shir Ha Shirim (Cântico dos Cânticos) conseguimos perceber que O Rei Salomão nos transmite um ideal das uniões perfeitas, relatando como deve ser a relação entre a humanidade e seu Criador, na intimidade mais profunda. Ao sentir a necessidade desta união, como um vaso que precisa ser preenchido, cada qual , pode provar as delícias deste ibum (fusão) e crescer em espiritualidade mesmo aqui em meio a vida material. D-us relata em toda a Torá e através de seus profetas, que acompanharia o Seu povo na Galut (Exílio).

Moisés é o tzadik, o enviado de D-us, para despertar as mentes e as almas daquelas pessoas angustiadas. elas não ouviam a sua voz, porque as camadas de cascas eram por demais duras, não permitindo a penetração da sabedoria divina. Porém, poucos sabem que o mero anseio em se conectar é uma expressão de cada alma, sua condição natural, ainda que em meio à materialidade. O que significa, que se houver uma vontade verdadeira, por mais ínfima que seja, a mensagem do amor divino chegará aos ouvidos outrora surdos, revertendo a condição desfavorável da alma humana.

Quando Moisés usou os “sinais”, com os quais D-us lhe havia orientado a apresentar diante dos Filhos de Israel, ele permitiu, com que os mesmos estivessem presentes nos dias de hoje para aquelas almas que anseiam pela verdadeira liberdade. Se você realmente quiser, a “Kol Demamá Daká”  (Voz Silenciosa) ressoará em seu coração e então redimirá da influência maléfica da alma animal, no seu interior.  Basta querer se conectar.

Shalom!

Rafael Chiconeli

O ALIMENTO DA ALMA

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AGRADEÇO A TODOS OS MEUS ALUNOS, AMIGOS E AS PESSOAS QUE ME ACOMPANHAM. JUNTO COM VOCÊS E O PENSAMENTO FRATERNO DE TODOS AQUELES QUE PASSAM POR AQUI DEIXANDO UM RESQUÍCIO DE SUA ENERGIA, ESTAMOS REALIZANDO COISAS MARAVILHOSAS.

A potencialidade humana é a “Dynamis”, que o grande cabalista Pitágoras (sim, foi iniciado em Cabala, na Babilônia por grandes mestres judeus que lá habitavam)  venerava como chave dos mistérios para o emprego correto de nossa energia vital. Ele sabia, como muitos dos mestres que já citamos aqui, que é preciso um fator além dos que conhecemos, para que um ser humano possa se considerar excelente.

Isso porque a excelência acima das demais é a excelência da alma. Hoje, os especialistas, a literatura, os cursos e etc, cobrem toda a questão sobre excelência no trabalho, como cuidar dos filhos, do casamento, da intelectualidade, da saúde e da vida social. Mas nem por isso, nós, seres humanos nos consideramos satisfeitos.

Entendendo que somos seres espirituais, que estão vivendo uma experiência material, sabemos que os recursos convencionais com os quais contamos, não podem satisfazer nossa exigência maior. Precisamos então de uma ferramenta, para que não percamos a conexão primordial, o que nos faz lembrar do que realmente somos nesta existência.

Se a comida mata nossa fome e a água a nossa sede, podemos dizer, que a Cabalá é o alimento da alma. O aprofundamento na teoria e prática desta ciência, possibilita que os cursos plenamente materiais sejam freados, e a alma possa se nutrir já que ela dá sustentação às outras funções que temos.

Exercitando o compartilhamento, a doação de amor e recebendo o que é merecido, a alma que aqui ocupa um corpo retorna à união universal. Quando isso ocorre, um ciclo de prosperidade atinge em cheio o praticante, fazendo com que suas ações nas mais diversas esferas atinjam o sucesso. A ânima quando bem nutrida, faz com que todas as demais partes funcionem em harmonia.

Nossa grande preocupação, portanto deve ser a de alimentar nossas almas corretamente.

Shalom,

Rafael Chiconeli

PARASHÁ SHEMOT – UM SALTO QUÂNTICO

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“E quanto mais os afligiam (aos israelitas), tanto mais este se multiplicava e se fortalecia” (Shemot 01:12).

Estamos numa semana muito penosa,  que terroristas islâmicos mataram pessoas inocentes em Paris, França. Não é de hoje que os radicalismos intensificam e que muitas vezes a situação parece ficar tão grave que muitos chegam a pensar que nosso mundo não tem mais solução e que esforços pela paz são em vão. A parashá desta semana fala de um momento parecido, quando o povo judeu vivera bem no Egito, fortalecido pela influência de Yossef, e um faraó ganancioso literalmente iniciou uma espécie de “limpeza étnica”, eliminando as conquistas e matando recém-nascidos.

O Zohar nos ensina que não importa para onde os israelitas fossem, já que a Shechiná (Presença Divina) também ia com eles. O grande problema não eram as condições adversas que apareciam, mas sim a dificuldade em tomar consciência de que a solução está bem diante do próprio nariz, Aquela geração enfrentava dificuldades pela primeira vez, embora fossem descendentes de Yacoov, tinham experimentado o melhor no país estrangeiro até então, o que traz importantes lições sobre a natureza dos acontecimentos.

Costumo dizer em minhas aulas, que “o sofrimento é pedagógico”, porque a sua função é gerar mudança e consciência, embora o ser humano tenha a tendência de paralisar, quando ocorrem tais situações. A rápida mudança da condição de povo privilegiado a povo escravo, era simplesmente o agravamento de uma mesma situação que a consciência acomodada não permitia ver. Mesmo diante dos luxos egípcios, o povo judeu já era escravo, pelo perigo que representava a assimilação à costumes estranhos.

Muitas vezes as trevas agem em estágios, instalando-se aos poucos na existência, penetrando pelas brechas que permitimos, à medida que nossa espiritualidade vai decaindo sem que possamos reagir. O que aconteceu, foi que gradativamente, a percepção da Shechiná foi desaparecendo e a sensação de abandono foi tomando conta de todos, onde o Zohar usa como comparativo o “pão egípcio”.

Diz o Zohar: “Rabi Chiyá aplicou aos israelitas que baixaram no Egito o seguinte versículo: ‘não comas o pão daquele que tem um olho mau’. Disse: ‘Em realidade, o pão ou qualquer outra dádiva graciosa ofertada por um homem de olho mau não merece ser compartilhado ou saboreado’. ‘Os Filhos de Israel, que estiveram no Egito, se não tivessem gostado do pão dos egípcios não haveriam permanecido ali em exílio, nem tão pouco os egípcios teriam os oprimido” (Zohar Shemot).

Neste caso, o que fica claro é que não podemos abrir mão de nossa identidade espiritual pura, para costumes que não dizem respeito ao que o Criador deseja para nós. Ao descumprirmos o que D-us definiu para cada um de nós, judeus e não-judeus, nós estamos comendo do “Pão Egípcio”, que é oferta de Samael, o testador e colaboramos para que a Shechiná se afaste de nosso mundo. Assim o Zohar diz sobre estas pessoas: “melhor que nunca tivesse nascido”, já que desprezar a oferta de D-us, pela de Samael é o mesmo que praticar idolatria.

 Vemos então, que neste estado a luz vai se fazer presente através das mulheres de Israel, que continuaram seguindo os mandamentos divinos e realizando partos, apesar das proibições que o faraó estabeleceu. Se o mandamento de “crescei-vos e multiplicai-vos”, fosse desprezado Moisés, nosso mestre, jamais teria nascido para redimir nosso povo. O apego das parteiras israelitas a esta mitzvá em particular, significou o início da recusa deste pão maligno e o início de um salto quântico para todo o povo judeu.

Esta retomada de consciência, concede resistência e reunifica a certeza da missão e da mesma forma que o passuch introdutório deste estudo, esta visão permite com que as “pancadas da vida”, possam ser absorvidas para que o ser humano se fortaleça e cresça com elas. A pedagogia do sofrimento, não significa acostumar-se com ele, mas sim torná-lo trampolim para a vitória.

Shalom!

Rafael Chiconeli

CABALÁ E INTERPRETAÇÃO DE SONHOS

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HÁ TEMPOS ATRÁS FUI QUESTIONADO DE UMA VEZ SÓ POR   SEIS ALUNOS (DOS MAIS DIVERSOS LUGARES, SENDO UM DE BOSTON -EUA), SOBRE SONHOS QUE TIVERAM, O QUE POR SI SÓ, NÃO ERA COINCIDÊNCIA. 
 
A PRINCIPAL DÚVIDA É SE OS SONHOS PODEM PREDIZER ALGUMA COISA SOBRE NOSSA CAMINHADA, SE A CABALA LIDA COM ELES E DE QUE FORMA OS INTERPRETA. COMO CONSIDEREI QUE ERA UM AVISO PARA QUE EU FALASSE DO ASSUNTO, ESCREVO ESTE ARTIGO E SOLICITO À EGRÉGORA, QUE PARTILHE COM QUEM TIVER NECESSIDADE
DELE.
 
O HISTÓRICO DO SONHO
 
Os sonhos mexem com o ser humano desde a antiguidade. Nas civilizações antigas, interpretar os sonhos era uma ciência que colocava qualquer um em prestígio ou desgraça, dependendo de que rumo a história tomava, após a instrução ser passada. Mas hoje em dia, poucos entendem qual é a real importância do sonhos para nossas vidas.
 
Nas escrituras judaicas, encontramos um exemplo sublime, com a História de José (Yosseff). Filho de Jacó (Yacoov), desde cedo, apresenta a capacidade de lidar com sonhos de forma objetiva, o que foi se aprimorando com a sabedoria da Cabala. Isto o coloca como favorito de seu pai e como inimigo dos irmãos, que o vendem ainda novo como escravo. No Egito, passa por diversas situações, até ser preso. Mesmo no cárcere, impressiona a todos por sua capacidade de interpretar sonhos e sua reputação cresce.
 
Um dia, o Faraó do Egito tem um sonho intrincado, onde sete vacas magras comem sete vacas gordas e ainda assim continuam magras. Convoca todos os sacerdotes e feiticeiros do Egito para interpretar este sonho e nenhum deles lhe parecem convincente. É quando ouve falar de José e manda o levarem até ele. Lá, José interpreta como sete anos de fartura e sete anos de miséria que o Egito enfrentará, podendo assim salvar o país.
 
José, assim como os demais patriarcas e grandes Chachamin (sábios) obtiveram a iniciação Cabalística, sabiam, que o sono corresponde a 1/60 avos do que é a morte. Então, durante este período, o corpo passa a ter uma ligação tênue com a alma, somente o necessário para que as funções vitais sejam mantidas. A maior parte da alma, então, passa a ter contato com outras forças espirituais, que podem ser de origem positiva ou negativa, segundo sua sintonia e elevação.
 
A CABALA E O SONHO
 
 No seu tratado, Rabi Moshe Luzzatto nos informa que o criador concedeu este atributo do sono, como uma forma de a alma “descansar” dos aspectos nocivos da matéria. Ele via no sonho, uma arma para compreender o trabalho do Criador, citando a passagem do Zohar que diz: “um sonho não interpretado é como uma carta que não foi lida; se realizará, mesmo que não estejamos conscientes”.
 
O contato da Alma, com elementos das esferas espirituais, faz com que coisas possam ser vislumbradas de maneira única, sendo que essa informação é trazida diretamente ao corpo adormecido. Na nossa esfera material, isso se manifesta diretamente na imaginação da pessoa, gerando sonhos beatíficos ou perturbadores e situações verdadeiras ou errôneas, dependendo da fonte de informação que foi consultada.
 
 Porém, um sonho, tal qual as escrituras é algo que pode demandar diversos significados e mensagens, por isso, traz sentidos ocultos, que podem ser interpretados. Ele age como uma descarga elétrica mental, flash de luz que nos transmite sensações. Em seguida estas informações serão traduzidas de uma forma que nosso consciente possa compreender, através dos sentidos que utilizamos.
 
 
A INTERPRETAÇÃO DE SONHOS
 
O Zohar nos diz que nada se materializa neste mundo, sem que antes tenha sido revelado através de sonho. O Talmud nos diz que mais importante que o sonho em si é a interpretação do mesmo, pois de nada adianta um mapa, sem ter quem busque pelo tesouro. Por isso, é informado que nossos sonhos não devem ser contatos a qualquer pessoa, mas sim à um sábio ou amigo capaz de interpretá-los.
 
A Cabala por milênios trabalha com a interpretação de sonhos, com resultados incríveis. A grande arte neste caso, é extrair objetividade da subjetividade, discernindo o conteúdo que provém da imaginação e perceber, a revelação que se esconde no sentido esotérico. O Tzikas Ha Tzadik vai informar, que para interpretar os sonhos de alguém, a pessoa deve ser um Rav (mestre), que tenha conseguido direcionar seus desejos. Isso, porque como os sonhos têm profunda conexão com os desejos, uma pessoa que não tenha este domínio se torna incapaz de extrair a essência da verdade de um sonho.
 
Finalmente, entenderemos que nossos sonhos, nos ajudam a guiar nossa conduta, com relação a derrotar o egoísmo e fazer parte da Egrégora Universal, onde reina o Criador. Isso significa que os sonhos podem ser uma excelente ferramenta para nossas conquistas aqui na matéria se soubermos aproveitar o profundo significado deles. Em nada isto atrapalha nosso livre-arbítrio, já que temos sempre a opção de também ignorar nossos sonhos.
 
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE CABALA E COMO INTERPRETAR SEUS SONHOS:
 
ccibrasil@hotmail.com
Rafael Chiconeli 

PARASHÁ VAYECHI – LIGANDO-SE À UM JUSTO

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“Vocês que aderiram ao Eterno vosso D-us, mereceis, cada um, vida neste dia” (Zohar Vayechi).

A parashá desta semana nos conta sobre o final da vida de Yacoov, o terceiro de nossos patriarcas, que teve uma vida de muitas dificuldades, até alcançar seu real objetivo. Muitas pessoas quando perdem um ente querido tendem a se entristecer, sentindo um distanciamento gigantesco, e, de fato um abismo que se abriu entre duas pessoas que se amavam. Na Cabalá, aprendemos  que as coisas podem ser visualizadas de maneira profunda ou literal, onde a morte nos traz profundos ensinamentos sobre a realidade da nossa existência (raízes e ramos).

O Midrash nos traz uma profunda visão, sobre a palavra “viveu”, que se relaciona à morte de Yacoov, junto à seus filhos e netos no Egito. É muito clara, na parashá a intenção do patriarca em deixar instruções claras para que sua descendência pudesse se conduzir, após sua ausência física. Isto acontece, porque o universo é um todo, que está se construindo instante a  instante, onde cada ser é um arquiteto nesta construção. Yacoov conhecia as leis cabalísticas da interrelação entre mundos, o que em verdade nos prova a existência da eternidade e que a revelação ou ocultação do “para sempre” depende unicamente da qualidade de nossas ações.

Nossos sábios ensinam: “os tzadikim (justos), apesar de sua morte, são chamados vivos. Os rashaim (malvados), apesar de sua vida, são chamados mortos” (Midrash). A referência aqui é que o que separa o tzadik do rashá é a intenção das ações, o que resultará em legado positivo ou não; assim somos capazes de compreender a pressa de Yacoov em abençoar sua descendência no pouco tempo que ainda lhe restava. O tzadik se eterniza, pois suas ações visam deixar frutos bons, estes são os ramos desta raiz, enquanto que o rashá só visa ações temporais, seu foco é o finito, a matéria, logo seus ramos serão inúteis, já que a raiz em si é morta.

Já comentei em outros estudos, que segundo o Tanya, nossos patriarcas eram como “carruagens para D-us”, justamente porque sua Kavaná era unicamente realizar a vontade do Eterno e não a própria. Esta aderência, é justamente o segredo que conecta nosso estudo às verdades enunciadas no passuch do Zohar, que abre este escrito já que ela resulta na Eternidade de seus beneficiário. Quando o desejo real de uma pessoa é a conexão com D-us e nada mais, o desejo deixa de ser seu, e passa a ser o divino, resultando em ações que jamais serão esquecidas, sendo constantemente relembradas pelo benefício gerado à muitos.

Obviamente que a compreensão das ações de um justo nem sempre é automática, já que a ação divina neste mundo está pautada pelo Tzim-Tzum, o que significa uma relação profunda entre a ocultação e a revelação. Apesar da intenção ser positiva, por vontade divina, ela pode ser ocultada, para somente ser revelada “lá na frente”, beneficiando um número maior de pessoas.  Por isso a relação mística das raízes e dos ramos, pois ainda que você não tenha conhecido pessoalmente certo tzadik, pelo estudo de suas obras e pela adoção de suas práticas, você se torna parte daquela raiz, colhendo dos méritos do justo, unificando-se igualmente com D-us.

Daí, compreendemos através deste estudo é que os justos são eternos, e que para eles a morte não existe, já que se fazem presentes através de seu legado, que foram seus ensinamentos. Muitas pessoas hoje estão vivendo fisicamente, mas em verdade estão mortas, porque não estão deixando nada de permanente para o próximo, pois só se preocupam com assuntos da materialidade, o que criam um “gargalo” entre Yessod e Malchut, impedindo que as bênçãos as abasteçam.

Exatamente por isso os tzadikim são associados à sefirá Yessod, já que ela é a responsável pela transmissão da energia oriunda das sefirot superiores, que “descem” a este mundo através do Kav. Não é a tôa que dentro da dinâmica da Etz Chaim, Yossef, filho do patriarca representa sefirá Yessod, que que as retificações que fez, através do que aprendeu com seu pai, permitiram a ele tornar-se um transmissor do legado que recebeu. Quando os seres humanos seguem o mesmo caminho, em se juntar à raiz espiritual pura, recebem eles mesmos a habilidade de receber bênçãos e compartilhar com eficácia.

Shalom,

Rafael Chiconeli